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25.º aniversário da FUAM, A importância dos dados

20-09-2016

A revolução digital transformou a sociedade e, com esta transformação, surgiram conceitos como o Big Data. Tudo o que fazemos na Internet deixa um rasto e, nesse rasto, encontra-se muita informação que ajuda a prever o comportamento das pessoas. Isto é um enorme potencial tanto para as empresas como para os consumidores, porque permite adaptar as ofertas às necessidades de cada cliente. Mas este cenário também levanta questões na sociedade. Para tentar dar resposta a estes novos desafios que surgem no meio digital e a propósito do 25.º aniversário da Fundação da Universidade Autónoma de Madrid (FUAM), a UAM, o Grupo PRISA e a IBM celebraram, esta quinta-feira, o primeiro de seis ciclos dedicados à reflexão sobre os Grandes Desafios Sociais, no IBM Client Center de Madrid.

O destaque do evento consistiu numa mesa redonda moderada por Sonia Casado, Chief Data and Analytics Officer do Grupo PRISA, na qual participaram distintos perfis associados à UAM que trabalham todos os dias com dados. Casado abriu o debate assinalando a importância dos dados, todos os benefícios que podem trazer e, assim, contribuir para melhorar os serviços, criando uma oferta personalizada baseada no estudo do comportamento dos consumidores. “Todos somos geradores de dados que podem ter valor”, referiu Casado. “Tudo o que fazemos é rastreável e, a partir do rasto que se cria, pode-se adquirir informação”, acrescentou Javier Ortega, diretor da Escola Politécnica Superior da UAM.

Todos os participantes concordaram que, neste momento, se geram muitos dados que terão uma grande repercussão em todos os setores. Por exemplo, os hospitais acumulam quantidades prodigiosas de formulários e documentação. “O problema é o que fazer com esses dados”, apontou Julián Pérez, subdiretor do Instituto de Previsão Económica “Lawrence R.Klein”-UAM. "É muito importante que, por trás dos dados, haja uma pessoa que pense para calcular o valor que têm", acrescentou. Alberto Barrientos, diretor-geral do Instituto de Engenharia do Conhecimento-UAM, concordou com ele: “É relevante saber trabalhar com os dados e, além disso, saber que tipo de respostas se procuram”, assegurou.

Rafael de Arce, professor de Economia Aplicada da UAM, liderou a posição mais crítica em relação ao Big Data. Para De Arce, há que contar com a importância da recolha de dados dentro do processo de análise. “A qualidade da matéria-prima condiciona tudo o resto”, argumentou De Arce. Segundo o economista, é necessário desenvolver métodos de recolha de dados bons, fiáveis, porque, se forem maus, tudo o que se faça com eles depois também será.

Após duas horas de discussão, uma das conclusões que se pode tirar do debate é que o grande desafio está no que fazer com tanta informação que se gera neste momento, em todo o lado. “O dado é uma nova matéria-prima e há que explorá-lo como tal”, afirmou Lucía Álvarez, diretora da IBM Analytics Espanha. “Agora, podemos solucionar problemas antigos pensando de novas maneiras”, acrescentou.

A aplicação prática do Big Data encontra-se, fundamentalmente, nas empresas onde o estudo do comportamento dos consumidores ajuda a prever o seu comportamento, mas o âmbito comercial não é a única aplicação do estudo dos dados. “É verdade que há efeitos do Big data que parecem bastante perversos”, explicou Estrella Pulido, diretora de departamento da IBM-UAM. Contudo, segundo Pulido, as possibilidades do Big Data não se reduzem à publicidade que uma empresa possa fazer de forma direta para vender mais. Por exemplo, uma área em que o estudo dos dados pode ser muito útil para o cidadão é a da saúde. “É um benefício poder dar um tratamento específico a um doente de cancro, segundo as suas características genéticas, porque terá mais efeito do que um tratamento genérico que se pode aplicar a qualquer outro paciente”, acrescentou.

Segundo os defensores, existem várias aplicações do Big Data que trarão muitos benefícios ao público em geral, sobretudo no âmbito doméstico. “Os utilizadores beneficiarão enormemente das soluções que oferecem as empresas que usam Big data”, explicou Barrientos. Embora o especialista reconheça que essas soluções ainda não chegaram à maioria das casas, tem a certeza de que chegarão. “É uma realidade que chegará e, quando chegar, já não conseguiremos prescindir dela”, concluiu Barrientos.

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