Notas de imprensa

Manuel Polanco, o novo presidente da PRISA

19-12-2017

manuel polanco y juan luis cebrián

Juan Luis Cebrián permanecerá na presidência do El País e do Comité Editorial do Grupo

Manuel Polanco substituirá Juan Luis Cebrián na presidência da PRISA, de acordo com o Plano de Sucessão posto em marcha pelo próprio Cebrián no início do passado mês de outubro. Este permanecerá durante os próximos anos como presidente do El País e do Comité Editorial do Grupo. A proposta da nomeação de Polanco para o seu novo cargo, ele que até agora era vice-presidente da PRISA, foi anunciada pelo presidente demissionário na Assembleia Geral Extraordinária celebrada no passado dia 15 de novembro, e foi aprovada hoje pelo conselho de administração. A substituição será efetiva a partir do dia 1 de janeiro.

A sucessão na presidência da PRISA marca o culminar de uma ampla reorganização nos altos quadros diretivos da companhia que foi levada a cabo ao longo de 2017. Desde o passado mês de setembro que o Grupo tem um novo diretor executivo na pessoa de Manuel Mirat, um novo secretário-geral, Xavier Pujol, e um novo diretor financeiro, Guillermo de Juanes. Cinco novos administradores entraram também para o Conselho após a Assembleia Geral do Grupo, celebrada faz agora um mês. Polanco ocupar-se-á principalmente do governo corporativo e das relações com os acionistas, e Mirat ficará à frente dos negócios da companhia como o principal executivo da PRISA.

Juan Luis Cebrián fez parte da equipa que fundou o Grupo. Foi o diretor fundador do El País e, a partir de 1988, assumiu as responsabilidades de diretor executivo e administrador delegado a pedido de Jesús Polanco. Ambos conceberam, em conjunto, a estratégia e tomaram as principais decisões que fizeram da PRISA a companhia global líder em informação e em educação em espanhol e português. Cebrián desenvolveu um projeto empresarial ibero-americano, seguindo na esteira dos passos dados por Jesús Polanco com a Santillana, empresa que se juntou ao portfólio da PRISA pouco antes da sua entrada na Bolsa. Atualmente, a PRISA é detentora do principal jornal global em espanhol, líder de mercado tanto no seu formato digital como na sua versão em papel, da principal editorial de educação (K12) em todos os países ibero-americanos, e das rádios líderes em informação e música do mundo de língua espanhola.

As operações anunciadas recentemente de ampliação de capital, no valor de 550 milhões de euros, a venda da Media Capital (a principal cadeia de televisão em Portugal) e o refinanciamento da dívida garantirão a estabilidade financeira definitiva da PRISA e a sua sustentabilidade e crescimento a longo prazo, o que propiciou a decisão da substituição a nível da presidência, como Juan Luis Cebrián vinha a anunciar.

Na Assembleia Geral do passado dia 15 de novembro, o agora presidente demissionário comunicou também aos acionistas que faria uma proposta para a criação da "Fundação El País" para ajudar a garantir a independência editorial do jornal e dos outros meios da PRISA. O Conselho aprovou hoje a criação de um grupo de trabalho que, no próximo mês de janeiro, apresentará uma proposta a este respeito para a sua aprovação.

CEBRIÁN AO CONSELHO: "Chegou o momento certo para a minha substituição"

No Conselho de Administração da PRISA celebrado hoje, o último a que presidirá, Cebrián pronunciou palavras de despedida, tendo dito, entre outras coisas:

"No Natal de 1975, faz agora exatamente quarenta e dois anos, assinei com Jesús Polanco, então diretor executivo da PRISA, o meu primeiro contrato com esta companhia como diretor do ainda inexistente El País, cujo lançamento era o único objetivo social da empresa. Deste modo, tive a oportunidade e a honra de contribuir para o lançamento da mesma como diretor e fundador do jornal.

No outono de 1988, o próprio Polanco me sugeriu que me tornasse o diretor executivo da empresa como seu Administrador Delegado, mantendo ele os seus poderes como Presidente. Sob a sua inestimável tutela e extraordinária visão, pude desde então dedicar-me ao crescimento e à consolidação da PRISA, que expandiu as suas atividades para a rádio e para a televisão, implementou-se em numerosos países da América Latina, levou a cabo importantes investimentos no setor mediático europeu e se tornou o principal grupo de meios de comunicação social e entretenimento do nosso país, antes de coroar essa evolução com a absorção da Santillana, anterior à entrada em Bolsa da PRISA no ano 2000.

A crise mundial de 2008, despoletada pela queda da Lehman Brothers, apanhou-nos precisamente no momento em que tínhamos iniciado importantes operações com o objetivo de desalavancar a companhia, visto ser evidente que era impossível ela conseguir por si mesma, sem vendas de ativos ou ampliações de capital que os acionistas tradicionais não desejavam, cumprir os seus compromissos de crédito.

Tivemos de lidar com circunstâncias muito difíceis, que nos obrigaram a mudar a estrutura de capital do Grupo, reduzir o âmbito das suas operações e levar a cabo importantes reduções de custos, com graves cortes de pessoal, desaparecimento de dividendos e punições adicionais na avaliação da empresa. Acionistas, funcionários, profissionais e utilizadores dos nossos serviços tiveram de pagar um preço elevado nesta última década. Graças a esses sacrifícios, podemos dizer hoje que a companhia está a salvo e é de esperar que as operações de venda de ativos e de aumento de capital em marcha propiciem uma nova estrutura que proporcione solvência e garanta a continuidade e o futuro dos nossos esforços. Nesta conjuntura, julguei ter chegado o momento certo para colocar uma nova geração à frente da companhia, algo que eu desejava há anos, como muitos dos presentes sabem. Para o bem da empresa e para o meu bem pessoal.

A minha permanência como presidente do El País e à frente do Comité Editorial do Grupo, cargos que me honram, tem a ver com a preocupação de importantes acionistas desta casa, membros relevantes do Conselho e uma ampla amostra de profissionais e colaboradores dos nossos meios em garantir que a identidade empresarial e profissional dos mesmos, a sua independência, a sua credibilidade e os seus padrões de qualidade não se vejam afetados pelos percalços do mercado, num momento em que a transformação tecnológica afeta seriamente o modelo de negócio tradicional. É uma preocupação que partilho e assim o afirmei em numerosas ocasiões perante este Conselho, como se pode comprovar nas atas do mesmo. De modo algum julgo que a preservação e defesa da independência e da qualidade profissional seja uma tarefa exclusiva e primordialmente minha, apesar do simbolismo conjuntural que o meu apelido, assim como o de outros, possa ter em determinados momentos. Com as propostas hoje aprovadas pelo Conselho, estamos a institucionalizar a gestão dos conteúdos dos nossos meios à margem de qualquer individualismo. A matéria-prima com que trabalhamos é composta unicamente por talento e independência, que é, como disse, a base da nossa credibilidade no mercado, e se isso não estiver garantido, nem toda a mestria financeira do mundo seria suficiente para levar a cabo e sustentar atividades como as nossas, decisivas para a preservação e fortalecimento do sistema político e social em que se desenrola a vida dos cidadãos."

MANUEL POLANCO: "É um desafio profissional apaixonante"

Após a sua nomeação, Manuel Polanco declarou: "Liderar esta etapa da PRISA é um desafio pessoal e profissional apaixonante. É uma companhia que conheço e admiro desde sempre porque desenvolvi toda a minha carreira nela, com marcas líderes de prestígio internacional e audiências globais com um enorme potencial de crescimento. Tenho a certeza de que o seu futuro estará à altura da sua relevância institucional. Suceder a Juan Luis Cebrián é também um desafio e simultaneamente uma honra, e continuar o legado do meu pai representa um motivo de especial exigência, motivação e de grande orgulho para mim."

Manuel Polanco (Madrid, 1961) é licenciado em Ciências Económicas e Empresariais pela Universidade Autónoma de Madrid e tem um profundo conhecimento da PRISA, onde desenvolveu toda a sua carreira profissional. Iniciou a sua trajetória na América Latina, pela relevância que sempre teve o conhecimento e a compreensão desta região para a evolução do Grupo.

Entre 1991 e 1993, ocupou-se da direção da Santillana no Chile e no Peru. Pouco depois, tornou-se diretor geral do jornal mexicano La Prensa e participou no lançamento da edição americana do El País na Cidade do México, o primeiro jornal diário espanhol a ser publicado em simultâneo nos dois países e que, desde então, se tornou uma referência inequívoca para a informação internacional na América Latina. Em 1996, assumiu em Miami a direção internacional da Santillana para toda a América, etapa em que apoiou a criação das últimas filiais da Santillana na região e potenciou a coordenação entre as redes dos diferentes países.

De volta a Espanha em 1999, passou a presidir a área comercial de todo o Grupo através da GDM (Gestão de Meios) e, um ano depois, foi nomeado presidente da GMI, Gestão de Meios Impressos, que reunia as publicações Cinco Días e o jornal diário AS, as revistas e os novos investimentos na imprensa regional. Em 2005, e após a aquisição da Media Capital por parte da PRISA, passou a ser o diretor executivo da principal companhia de televisão e produção de audiovisuais de Portugal, abrindo uma etapa de impulsionamento na expansão internacional para outros mercados de língua portuguesa e consolidando a liderança do Grupo luso tanto na televisão, com a TVI, como na produção audiovisual para televisão através da Plural.

Em 2009, regressou a Espanha como diretor geral de negócios da PRISA e, nos últimos anos, presidiu a área de televisão do Grupo, incluindo o Canal + até à sua venda à Telefónica em 2015, assim como o lançamento da nova divisão de produção e vídeo da PRISA, ao mesmo tempo que ocupava a vice-presidência do Grupo. Polanco é administrador da PRISA desde 2001 e membro do seu Comité Executivo desde 2008.

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