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A PRISA inicia uma nova etapa

26-02-2018

PRISA abre una nueva etapa

O êxito da ampliação de capital e o refinanciamento da dívida dão margem de manobra à PRISA para se concentrar na exploração do potencial de crescimento das suas divisões de educação e de media

A PRISA desanuvia o seu horizonte financeiro e ganha margem de manobra para acelerar o crescimento dos seus negócios. A companhia concluiu, no início de 2018, duas operações fulcrais: a restruturação da sua dívida e a execução de uma importante ampliação de capital. O fortalecimento patrimonial e o equilíbrio das contas decorrentes destas medidas permitem ao grupo editor do EL PAÍS iniciar uma nova etapa centrada na criação de valor para os seus acionistas e que girará em torno da educação e dos meios de comunicação social.

No passado dia 16 de janeiro, a PRISA informou a Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) de que tinha chegado a acordo com os seus credores para o refinanciamento e para a alteração das condições dos seus compromissos financeiros. Este pacto contempla o prolongamento do prazo de vencimento da dívida em cinco anos. Além disso, o plano acordado não prevê amortizações obrigatórias até dezembro de 2020, com um calendário de pagamento posterior ajustado ao rendimento dos negócios. O prolongamento do prazo de pagamento é relevante porque, nos termos do acordo anterior, a companhia teria de pagar aos seus credores 956 milhões em dezembro deste ano.

A renegociação da dívida estava sujeita à execução da ampliação de capital que havia sido aprovada na assembleia geral extraordinária da PRISA celebrada no passado mês de novembro. Essa operação foi concluída com sucesso esta semana, com a admissão à cotação de 469 milhões de ações. O preço fixado para os novos títulos foi de 1,2 euros (0,94 euros de valor nominal e um prémio de emissão de 0,26 euros para cada um), pelo que a ampliação permitiu ao grupo angariar fundos no valor de 563 milhões. O acordo com os credores determina que, deste montante, 450 milhões sejam direcionados para o pagamento da dívida. Os 113 milhões restantes serão investidos no desenvolvimento das diferentes unidades de negócio do grupo, com especial atenção à área educativa.

A PRISA conta que, à diminuição da dívida fruto da ampliação de capital, se juntem também as receitas decorrentes da venda da Media Capital. A companhia chegou no ano passado a um acordo com o grupo Altice que avalia a divisão audiovisual portuguesa em 321 milhões de euros. No entanto, a conclusão da operação está pendente da aprovação das autoridades da concorrência lusas. A companhia espera obter a luz verde para o desinvestimento no decurso do segundo trimestre de 2018. Contudo, não se trata de um cenário fundamental, já que o pacto de refinanciamento com os credores também contempla a hipótese de a venda da Media Capital não se concretizar.

Desalavancagem

A ampliação de capital e a venda da Media Capital darão lugar a uma redução da dívida de 771 milhões e deixarão o endividamento líquido nos 661,2 milhões. Esta importante redução dos compromissos financeiros baixará a alavancagem de 5,9 vezes o resultado bruto de exploração (Ebitda) para apenas 2,8 vezes. De um modo geral, o mercado entende que um rácio da dívida sobre o Ebitda inferior a três vezes pode ser assumido por uma empresa sem comprometer o seu potencial de crescimento a médio prazo.

Ao apoio dos credores ao projeto da PRISA, juntou-se o voto de confiança de investidores e de acionistas. A ampliação de capital saldou-se com uma procura que ultrapassou em 7,62 vezes as ações oferecidas ao mercado. Além disso, o compromisso de subscrição de títulos por parte dos proprietários da companhia passou de representar 53% do capital no início do investimento para ficar na ordem dos 70% no final.

Esta mensagem de otimismo refletiu-se também no comportamento da ação. Desde que, no passado dia 29 de janeiro, se começou a cotizar os direitos de preferência de subscrição da ampliação de capital, os títulos da PRISA apresentaram uma revalorização na ordem dos 25%. A boa evolução em Bolsa permitiu à companhia fechar a semana com uma capitalização bolsista de 986 milhões de euros, quando no final do ano fiscal de 2017 o seu valor de mercado atingia apenas os 220 milhões.

Este processo iniciou-se em dezembro do ano passado, após a substituição de Juan Luis Cebrián como presidente da PRISA e a eleição de um novo conselho de administração. Manuel Polanco é o presidente não executivo da companhia, ao passo que o diretor executivo, Manuel Mirat, assume todas as funções executivas da organização. Além disso, aprovou-se a constituição de um novo comité de direção, com a inclusão de Pedro García Guillén como diretor executivo da PRISA Rádio, Alejandro Martínez Peón como diretor executivo da PRISA Notícias, Augusto Delkáder como diretor editorial, Jorge Rivera como diretor de Comunicação e Relações Institucionais e Marta Bretos como diretora do departamento de Gestão de Talento. Fazem também parte do comité Xavier Pujol (secretário-geral e assessor jurídico), Guillermo de Juanes (diretor financeiro), Rosa Cullell (diretora executiva da Media Capital) e Miguel Ángel Cayuela (diretor executivo da Santillana). As diferentes comissões que compõem o conselho deram um forte impulso ao desenvolvimento das práticas de governação empresarial. Cebrián mantém-se como presidente do EL PAÍS.

Criação de valor

A companhia prevê continuar na senda de austeridade dos últimos anos fiscais, mas a melhoria da estrutura de capital permitirá à equipa de gestão concentrar-se em tirar o máximo proveito do potencial das diferentes linhas de negócio da companhia, com especial ênfase no seu processo de digitalização. Nesse sentido, a PRISA encontra-se a elaborar um novo plano estratégico. O objetivo é que, uma vez livres das incógnitas financeiras, os investidores valorizem as divisões do grupo, que têm apresentado uma trajetória de receitas estável nos últimos anos, apesar do complexo contexto económico que enfrentaram.

A Santillana, que gera aproximadamente 75% do resultado de exploração do grupo, continuará a ser o elemento fundamental desta nova etapa. Presente em 22 países, as suas atividades abarcam um vasto leque de produtos que vão desde a edição de manuais escolares à publicação de manuais de línguas e a sistemas de ensino digital.

A PRISA controla 75% da Santillana, ao passo que os restantes 25% são detidos pelo fundo Victoria Capital Partners. O enfoque estratégico do grupo na área da educação - que em 2016 apresentou receitas no valor de 637 milhões, 47% do total - passa por manter e reforçar a sua posição de liderança, tirando proveito da recuperação macroeconómica da América Latina, e por se expandir em novos segmentos de crescimento. 79% das vendas da área de educação são geradas no exterior, com grande protagonismo por parte de mercados como o brasileiro (27%) e o mexicano (12%). Ainda que a venda de manuais possa ser afetada pela evolução económica, a PRISA destaca que a sua presença nos mercados emergentes constitui uma grande alavanca de crescimento, uma vez que, nestes países, os gastos em educação não chega aos 20 dólares por estudante, em comparação com os 130 dólares dos países da OCDE, e, portanto, a margem para crescimento é ampla. O Sistema UNO e Compartir são os pilares da estratégia da Santillana.

Além disso, a companhia estabeleceu como metas no segmento educativo continuar a transformação digital dos livros escolares tradicionais através de soluções educativas integrais, reforçar a sua oferta de produtos, com enfoque na qualidade, e melhorar a eficiência e o controlo dos gastos.

Juntamente com a Santillana, o outro pilar estratégico da PRISA é a sua divisão de meios de comunicação social, em que conta com ativos de grande valor e líderes nos seus respetivos segmentos, como o EL PAÍS, a SER, As, Cinco Días, Radio Caracol e Los 40.

A PRISA Rádio é um dos maiores grupos radiofónicos de língua espanhola, com aproximadamente 23 milhões de ouvintes e mais de 1000 emissoras, entre estações próprias, participadas e associadas, distribuídas por 13 países. A divisão de rádio contribui para o grupo com 21% das receitas e 17% do Ebitda. O enfoque estratégico nesta área coloca o ênfase na manutenção da liderança, tirando proveito de um contexto económico mais favorável e do esperado crescimento do mercado publicitário. Além disso, a companhia enfrenta o desafio de aprofundar a transformação digital de um modelo analógico para um modelo de conteúdos digitais multimédia e aproveitar assim o potencial das receitas digitais no mercado da Internet; reforçar a sua carteira de produtos através da expansão das suas marcas globais, como Los 40, além de se concentrar também no controlo dos gastos.

A divisão de imprensa, que representa 18% das receitas de exploração, completa a área de meios de comunicação social da PRISA. Neste segmento, o EL PAÍS mantém uma posição de liderança, sendo o portal digital número um no mundo da informação em língua espanhola e o número um em Espanha. O mercado da imprensa, em plena transformação digital, enfrenta uma redução constante das suas dimensões, com uma elevada oferta de publicações tradicionais e meios digitais, com alterações contínuas nos hábitos de consumo de notícias por parte dos utilizadores e onde é fundamente continuar a investir para dar resposta às transformações tecnológicas. Neste contexto, a PRISA explica no prospeto da ampliação de capital que é cada vez mais importante "responder com um produto de qualidade, oferecer novos serviços e conteúdos multimédia especializados, forjar alianças de distribuição, internacionalizar as marcas, pôr em marcha modelos mistos de negócio (gratuitos/pagos) e inovar nos formatos publicitários".

Fonte: El País

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