Notícias

A revista "5W", "El Pitazo", Vincent West e Darío Arizmendi são os vencedores da 36ª edição dos prémios Ortega y Gasset

11-04-2019

La revista ‘5W’, ‘El Pitazo’, Vincent West y Darío Arizmendi, ganadores de los premios Ortega y Gasset en su 36ª edición

Os Prémios Ortega y Gasset de Jornalista 2019, que foram atribuídos esta quinta-feira em Madrid, reconhecem o jornalismo empenhado dos meios de comunicação social independentes. O prémio para melhor artigo ou investigação jornalística foi para Los Muertos que me Habitan, da revista 5w, uma crónica sobre os corpos anónimos que o Mediterrâneo faz dar à costa. O prémio de melhor cobertura multimédia foi atribuído a La Generación del Hambre, de El Pitazo, um retrato das carências alimentares e de saúde das crianças na Venezuela. Vincent West conquistou o galardão de melhor fotografia por uma imagem do 8M captada em Bilbau e o colombiano Darío Arizmendi foi reconhecido com o prémio de carreira.

O trabalho vencedor na categoria de melhor artigo ou investigação jornalística, Los Muertos que me Habitan, foi assinado pelo jornalista Agustín Morales e o fotógrafo Eduardo Ponces. A reportagem, publicada na revista 5W e no contexto de um projeto de Ruido Photo, é uma crónica que narra o trabalho de Chamseddine Marzoug, um homem que enterra, voluntariamente, os cadáveres que o Mediterrâneo devolve às praias da Tunísia.

O júri destacou que se trata de "uma reportagem magnífica" que "atinge as emoções do leitor abordando um tema da atualidade - o drama dos naufrágios no Mar Mediterrâneo - de uma perspetiva diferente". Os jurados acrescentaram que a peça "reúne todas as qualidades do bom jornalismo, tem uma sensibilidade especial e a escrita é maravilhosa".

O prémio na categoria de melhor cobertura multimédia foi atribuído a La Generación del Hambre, uma reportagem coordenada porJohanna Osorio Herrera e publicada no site venezuelano El Pitazo, em colaboração com a plataforma Connectas. Catorze jornalistas investigaram, ao longo de oito meses, as consequências que as políticas económicas do governo de Nicolás Maduro tiveram na saúde de um grupo de crianças. "É durante os primeiros cinco anos de vida que uma alimentação adequada é mais importante e o resultado é entristecedor: oito crianças cujo futuro parece marcado antes do tempo por danos irreversíveis e uma que não sobreviveu", narram na apresentação do seu trabalho.

El Pitazo é um meio de comunicação social criado por um grupo de jornalistas cujo objetivo é fazer chegar a informação às zonas mais desfavorecidas da Venezuela. Além da rede de informadores, contam com colaborações com ONG que os ajudam a chegar às diferentes comunidades do país. "Continuaremos a trabalhar para que El Pitazo se faça ouvir, até nos tornarmos a voz das camadas populares", lê-se no seu site.

O júri destacou o trabalho deste meio de comunicação: "São um grupo de jornalistas jovens e admiráveis que correm riscos e que vão aos sítios onde as coisas acontecem para averiguar os factos e comunicá-los".

O prémio de melhor fotografia foi atribuído a Vincent West, da agência Reuters. O trabalho selecionado é uma das imagens mais icónicas do 8M de 2018: uma maré de mulheres formam um triângulo com as mãos erguidas, durante uma manifestação em defesa da igualdade de género em Bilbau. A fotografia foi publicada no EL PAÍS e em outros meios de comunicação internacionais, como The New York Times. O júri elogiou "a garra e a força" de uma imagem que condensa este grande ano para os direitos das mulheres, com movimentos internacionais como o #MeToo.

Na categoria de prémio de carreira, o galardoado é Darío Arizmendi. Diretor de notícias da cadeia colombiana Caracol e uma das vozes mais importantes do seu país, foi obrigado a exilar-se nos anos 80, na sequência de várias tentativas de assassínio por parte dos cartéis de droga.

O júri valorizou "a excelência profissional do seu percurso, o seu esforço constante de explicar à sociedade o que está a acontecer em cada momento, a sua defesa das propostas de paz e do diálogo e, acima de tudo, a sua coragem ao enfrentar as dificuldades que, ao longo da sua carreira, lhe foram impostas no exercício da profissão de jornalista".

Licenciado em Ciências da Informação pela Universidade de Navarra, Arizmendi foi realizador e apresentador de programas de televisão, foi o fundador do jornal El Mundo, de Medellín, e seu diretor entre 1971 e 1991. Foi também embaixador plenipotenciário da Colômbia na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 1989, em Nova Iorque, e professor fundador da Escola de Comunicação Social da Universidade Pontifícia Bolivariana.

Nesta 36ª edição, o júri dos prémios foi composto por Manuel Mirat, presidente do EL PAÍS e diretor-geral da PRISA; Soledad Gallego-Díaz, diretora do EL PAÍS; Carlos Yárnoz, provedor do leitor do jornal; Jesús Ceberio, presidente do comité editorial da PRISA; Daniel Gavela, diretor-geral da Cadena Ser; Inés Juste, presidente da Asociación de la Empresa Familiar e do grupo Juste; Elena Salgado, economista e ex-vice-presidente do governo; Vicente del Bosque, antigo selecionador nacional de futebol; Zahara, cantora, e os redatores do EL PAÍS María Fabra, membro do comité de redação, e Mikel López Iturriaga, responsável por El Comidista. A posição de secretário do júri foi ocupada por Pedro Zuazua, diretor de comunicação da PRISA Notícias.

Os Prémios Ortega y Gasset, criados em 1984 pelo jornal EL PAÍS e batizados com o nome do pensador e jornalista espanhol, procuram pôr em evidência a defesa das liberdades, a independência e o rigor como virtudes essenciais do jornalismo e dar a conhecer os trabalhos que se tenham destacado pela sua qualidade.

Cada um dos premiados receberá 15 000 euros e uma obra do artista Eduardo Chillida, de San Sebastián. Podem candidatar-se a estes prémios todos os trabalhos escritos ou gráficos publicados em espanhol, em meios de comunicação de todo o mundo.

A entrega dos galardões terá lugar no próximo dia 9 de maio, quinta-feira, no Auditório Caixaforum de Madrid.

Regressar às notícias

Ir para o início da página