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O investimento sustentável, um aliado da recuperação económica

09-10-2020

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O EL PAÍS e o BBVA organizaram um encontro sobre o impacto positivo dos ativos geridos com critérios ambientais.

O coronavírus está a mudar o mundo de forma radical. Não só está a causar uma tragédia sanitária e um fracasso económico, como também revolucionou os nossos hábitos laborais e quotidianos. Transformou-se num catalisador de tendências tecnológicas e outras tendências relacionadas com a sustentabilidade. Hoje, por exemplo, os investidores chamaram a atenção para as carteiras que incluam algum fundo de investimento responsável. O objetivo? Tratar de uma série de critérios relacionados com fatores ambientais e sociais para termos um planeta melhor. Mas qual é o presente e, sobretudo, o futuro deste tipo de investimento?

Para responder a esta e outras perguntas, o EL PAÍS e o BBVA convocaram uma série de especialistas no encontro Investimento sustentável, revolução responsável, um evento celebrado no passado dia 8 de outubro. Nele, participaram Norman Loayza, economista-chefe do Grupo de Investigação do Desenvolvimento no Banco Mundial; Jaime Martínez, diretor global de Alocação de Ativos no BBVA Asset Management, e Javier Garayoa, diretor-geral da Spainsif, uma associação sem fins lucrativos que promove o investimento sustentável.

“A pandemia mostrou que a cooperação é difícil quando todos enfrentam a mesma crise.” Foi o que afirmou Norman Loayza, economista-chefe do Grupo de Investigação do Desenvolvimento no Banco Mundial, durante a sua participação no encontro. Em março, explicou o especialista da agência multilateral, quando os países competiam pelo fornecimento de material médico para contornar a propagação do vírus, tornou-se evidente a falta de colaboração entre países. E essa mesma história poderia repetir-se nos próximos meses. “Receio que se repetirá quando, finalmente, for encontrada uma vacina”, observou.

“A distribuição equitativa não vai acontecer a menos que haja uma liderança no mundo... Vejo a União Europeia como um desses líderes que podem ajudar na coordenação”, sublinhou Loayza. Durante a sua participação no primeiro de uma série de eventos dedicados ao investimento sustentável, o doutorado em Economia pela Universidade de Harvard indicou que a crise sanitária foi um revés para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) promovidos pelas Nações Unidas desde 2015. Hoje, por exemplo, as zonas que tinham conseguido reduzir o número de pobres, como África, China, Índia, sudeste asiático e América Latina, poderão sofrer um retrocesso. “A meta para 2030 era erradicar a pobreza extrema. Já se reconheceu que será difícil fazê-lo. Não será concretizado”, previu. Esta semana, o presidente do Banco Mundial, David Malpass, afirmou que a crise económica causada pela pandemia aumentará a pobreza extrema (com rendimentos inferiores a 1,9 dólares por dia) entre 110 e 150 milhões de pessoas, este ano e o próximo.

Loayza salientou ainda que as metas ambientais relacionadas com a redução das emissões poluentes poderão ficar fragilizadas devido a algumas decisões políticas e à saída de países de acordos importantes, como o Acordo de Paris. “Sem uma liderança mais forte por parte dos países mais poderosos do mundo e um maior cumprimento [dos acordos], como é o caso do Brasil, que detém no seu território uma grande riqueza que pertence ao mundo, a floresta amazónica, estes avanços não serão concretizados”, retorquiu. Estas tensões, concordou, são difíceis de gerir, porque muitos governos apostam num crescimento sem uma visão ambiental, já que traz muitos mais benefícios políticos. “Essa miopia indica que o que sucede agora é mais importante do que o que pode suceder no futuro”, lamentou.

“O investimento sustentável é imparável”, disse Jaime Martínez, diretor global de Alocação de Ativos no BBVA Asset Management, durante o encontro. Na sua intervenção, o especialista afirmou, com base num inquérito realizado no início deste ano, que 26% dos ativos sob gestão controlados pelos fundos de investimento no mundo já seguem critérios de sustentabilidade. “O crescimento foi de 20% anuais nos últimos três anos”, comentou. E a tendência continuará a subir. “Espera-se que este dado se converta em 95%. Será raro o que não é sustentável.”

Para Javier Garayoa, diretor-geral da Spainsif, o investimento sustentável é uma filosofia que integra os critérios ambientais, sociais e governamentais no processo de estudo, análise e seleção de valores de uma carteira. Em Espanha, explicou Garayoa, este mercado supera já os 191 000 milhões de euros. Os obstáculos que antes impediam o seu avanço (como a falta de informação e o desenvolvimento de produtos) dissiparam-se. “É o momento do investimento sustentável e a penalização de qualquer opção é tremenda”, disse.

O encontro Investimento sustentável, revolução responsável é um evento que propõe desafios ambientais e sociais que o mundo enfrenta.

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