Notícias

O Rei: "A aceleração digital não pode comprometer os valores do jornalismo"

31-03-2017

O Rei considera fundamental o papel do jornalismo e dos jornalistas na eclosão digital e as redes sociais como canal de difusão informativa. No ato da entrega dos Prémios de Jornalismo Rei de Espanha e Dom Quixote, celebrado esta segunda-feira na Casa de América, em Madrid, Filipe VI falou sobre a evolução dos meios de comunicação social com o aparecimento de novos suportes e os novos conteúdos que surgiram sem fugir às inquietações que suscitam.

 

Nesse sentido, o Rei assinalou que esse "espaço que não tem fronteiras e que liga milhares de milhões de pessoas em todo o mundo" expande "o alcance do nosso interesse e a capacidade de saber e conhecer" mas, no entanto, "também nos expõe a novos riscos e desafios, a novas ambições e incertezas" que representam uma nova prova para a humanidade "perante a história e perante o futuro" na sua senda rumo "ao progresso e ao bem-estar".

 

Esta nova forma de comunicação e de transmissão da informação, "imediata e quase sem tempo para a reflexão", afirmou o Rei, permite-nos "estar mais informados" mas, ao mesmo tempo, "exige-nos uma maior sofisticação e critérios mais apurados para selecionar, filtrar e, efetivamente, ficarmos melhor informados". "E é aí", sublinhou, "que é crucial, novamente, o papel do jornalismo, do jornalista".

 

Filipe VI defendeu que o jornalismo, "para ser isso mesmo, tem de se reger também pelos sólidos valores que representam a veracidade, o rigor, a verificação da informação, o profissionalismo, a imparcialidade e a responsabilidade que são, definitivamente, os alicerces da liberdade de informação". "E estes princípios não são novos nem nunca devem ver-se comprometidos pela aceleração ou pela tecnificação", afirmou.

 

Na sua intervenção, pôs em destaque a qualidade dos trabalhos premiados e o espetro cultural que compreendem. Alguns galardões, salientou, "nasceram ibero-americanos e ligados a alguns países afins", mas "abarcam também a totalidade dos estados de língua espanhola e portuguesa do mundo, sem exceções". Nesse sentido, o Rei classificou-os como "os primeiros galardões que têm como referência principal todo o espaço intercontinental de países de línguas ibéricas".

 

Os Prémios Internacionais de Jornalismo Rei de Espanha distinguiram na sua XXXIV edição o EL PAÍS, na categoria de Jornalismo Digital; o mexicano Carlos Loret de Mola em Televisão; Jordi Basté em Rádio; o cubano Yander Zamora em Fotografia; o brasileiro Vinicius Jorge Carneiro Sassine em Imprensa e Patricia Gómez em Jornalismo Ambiental e Desenvolvimento Sustentável. Por sua vez, os escritores Arturo Pérez Reverte e Carmen Posadas receberam o Prémio Dom Quixote e o Prémio Ibero-Americano de Jornalismo, respetivamente.

 

Na cerimónia de entrega, o jornalista Goyo Rodríguez, em nome da equipa de Especiais do EL PAÍS, recebeu o galardão pelo trabalho que ele mesmo coordenou, 40 anos do 20-N, publicado na edição digital do jornal diário em novembro de 2015. Um especial no qual participou quase uma centena de pessoas, com mais de 50 textos inéditos, relatos históricos do jornal, mais de 600 fotografias, vídeos e infografias dinâmicas para narrar a transformação de um país no seu caminho, não isento de momentos de incerteza, abatimento e dor, rumo à liberdade, ao progresso e à modernidade.

 

Assistiram à cerimónia de entrega a presidente do Congresso dos Deputados, Ana Pastor, a vice-presidente do Governo, Soraya Sáenz de Santamaría, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Alfonso Dastis, e o secretário de Estado de Cooperação Internacional, Fernando García Casas, assim como um bom grupo de representantes do mundo da informação.

 

Os Prémios Internacionais de Jornalismo Rei de Espanha, organizados pela Agência Efe e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), têm como objetivo reconhecer o trabalho dos profissionais do jornalismo em língua espanhola e portuguesa dos países que formam a comunidade ibero-americana e das nações com as quais Espanha mantém laços históricos.

 

Antes do Rei, o ministro Alfonso Dastis realçou o alcance ibero-americano destes galardões e o facto de a cerimónia de entrega ter tido lugar na Casa América, que celebra o seu 25º aniversário. Dastis pegou numa frase do Rei ("Espanha é uma nação ibero-americana.") para reforçar a linha do seu discurso e refletiu sobre o compromisso com a veracidade da Agência Efe. O ministro terminou a sua intervenção com as palavras de Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos Estados Unidos, que afirmou preferir jornais sem governo a um governo sem jornais.

 

Por sua vez, o presidente da Agência Efe, José Antonio Vera, elogiou a qualidade dos trabalhos premiados e fez uma defesa dos valores que devem também acompanhar o jornalismo perante os novos agentes, as redes sociais, "esse magnífico e direto veículo de comunicação do século XXI" e a "fachada" da pós-verdade, que "abriu a porta à realidade alternativa". "A pós-verdade é o culto da não verdade, do sensacionalismo", acrescentou.

 

Cada um dos galardões, patrocinados pelo grupo internacional de construção e concessões OHL, é composto por um prémio monetário de 6000 euros e uma escultura em bronze do artista Joaquín Vaquero Turcios. O galardão de Jornalismo Ambiental é patrocinado pela Fundação Aquae, ao passo que o Dom Quixote de Jornalismo, composto por um prémio monetário de 9000 euros e uma escultura comemorativa, é financiado pela empresa pública espanhola Tragsa.

Regressar às notícias

Ir para o início da página