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Os desafios da logística e da mobilidade sustentável na recuperação verde, em debate no EL PAÍS

11-09-2020

Los retos de la logística y la movilidad sostenible en la recuperación verde, a debate en EL PAÍS
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O Proyecto Zero debate o papel do transporte e da logística nesta recuperação

O mundo não vencerá a batalha contra as alterações climáticas se não apostar numa mobilidade sustentável. O transporte passou a ser a pedra no sapato que impediu que nos aproximássemos dos objetivos de redução de gases poluentes. Enquanto outros setores, como a produção energética e a indústria, reduziram as suas emissões desde 1990, as emissões dos transportes aumentaram. No entanto, a crise sanitária dá oportunidade de acelerar a transformação de um modelo ecológico graças à aposta na recuperação verde em que mergulhou a Europa. Esta é uma das conclusões a que chegaram diversos especialistas que participaram na terceira sessão do fórum Proyecto Zero, organizado pelo EL PAÍS e pela Iberdrola, com a colaboração dos Correios de Espanha.

“A covid-19 é uma oportunidade para reformular o setor”, disse Jari Kauppila, diretor do gabinete de análise quantitativa de políticas e prospetiva do Fórum Internacional dos Transportes, uma organização intergovernamental da OCDE. Hoje, são mais as famílias, as administrações públicas e as empresas que optam pela compra de um veículo elétrico, comentou Diego Díaz, responsável pelo programa internacional de startups Iberdrola–Perseo. “Este mês, vamos chegar aos nove milhões de veículos elétricos a circular em todo o mundo… Há cinco anos, tínhamos aproximadamente 900 000. É um crescimento exponencial”, destacou durante a sua participação.

A crise sanitária foi um ponto de inflexão e fez aumentar a consciência das pessoas para determinados problemas, por exemplo, a qualidade do ar nas nossas cidades. Prova disso é o número de matrículas de veículos elétricos que se registaram nos últimos meses. “Em agosto, quase que triplicou em relação ao ano anterior”, mencionou Arturo Pérez, diretor-geral da Associação Empresarial para o Desenvolvimento e Incentivo do Veículo Elétrico (AEDIVE).

Mas nem tudo passa pelo carro elétrico. “Claro que está no centro, mas nem todos os problemas de mobilidade nas cidades se resolvem com a mudança de carro”, indicou Carlos Bergera, responsável pelas relações externas da Smart Mobility de Iberdrola. O especialista explicou que as cidades também têm de adotar novos sistemas de digitalização. “Uma cidade mais inteligente ajudará à mobilidade”, destacou. Nesta busca por um planeta melhor, um dos fatores-chave é a logística, um dos setores que acelerou com o confinamento, devido ao dilúvio das compras online. “Ninguém estava preparado para uma situação como a que vivemos”, afirmou Elena Fernández, subdiretora de relações internacionais, RSC e sustentabilidade dos Correios. “[A pandemia] fez-nos mudar, de um dia para o outro, toda a rede logística que tínhamos”, sublinhou Fernández durante o evento.

Essa transformação veio para ficar, tal como as compras pela Internet. Isso implica um maior tráfego e, logo, mais poluição. “Nas cidades, há muitos agentes: distribuem-se mercadorias, há transportes públicos, há recolha de resíduos, há emergências, há um monte de coisas a acontecer”, assinalou Ramón García, diretor de inovação e projetos do Centro Espanhol de Logística (CEL). Hoje, a logística é um fator essencial na cidade e, como tal, deve ser considerada como parte do plano urbanístico e do desenvolvimento das ruas, para serem dimensionadas de acordo com os veículos de carga e descarga, disse García.

Mas o mais importante, em prol do meio ambiente, é refletir sobre aquilo que compramos através da Internet, sublinhou Fernández. “Temos de ser conscientes do que pedimos para, depois, não ser devolvido, ainda que seja um direito nosso”, referiu. Por exemplo, na UE, o transporte das devoluções gera 15 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono por ano, mencionou May López, diretora de Desenvolvimento de Empresas pela Mobilidade Sustentável e professora na EAE Business School, com base num estudo realizado pela Optoro, uma empresa de tecnologia. “É preciso repensar os nossos hábitos de consumo”, mencionou durante a sua participação nas jornadas do Proyecto Zero.

O Proyecto Zero é um espaço para ouvir casos de êxito na luta contra as alterações climáticas e debater sobre os desafios que a questão ambiental e a sua resposta suscitam nos diferentes setores económicos e sociais no momento atual, fundamental para a reconstrução após a crise económica provocada pela covid-19. Através de cinco eventos, o Proyecto Zero pretende inspirar e valorizar os projetos a favor da sustentabilidade como modelo para o crescimento e a reconstrução económica.

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